Nem toda preocupação significa um transtorno de ansiedade. Mas quando a ansiedade começa a interferir na sua rotina, nos seus relacionamentos ou na forma como você vive, vale olhar para isso com mais atenção.
Você já percebeu que sua mente parece estar sempre alguns passos à frente?
Enquanto a situação ainda nem aconteceu, você já imaginou tudo o que pode dar errado. Uma mensagem sem resposta gera preocupação. Uma decisão simples parece exigir inúmeras possibilidades. Mesmo quando está tudo bem, existe aquela sensação de que alguma coisa pode acontecer.
Preocupar-se faz parte da vida. A ansiedade também pode ter uma função importante: diante de uma situação percebida como ameaçadora, ela prepara o organismo para agir.
O problema começa quando esse estado de alerta deixa de ser pontual e passa a acompanhar você mesmo quando não existe uma ameaça concreta.
Quando a preocupação ocupa espaço demais, pode ficar difícil descansar, concentrar-se, dormir, tomar decisões ou simplesmente aproveitar o momento presente.
Nem toda preocupação é ansiedade
É natural sentir apreensão antes de uma prova, uma entrevista de emprego, uma conversa difícil ou uma mudança importante.
Nessas situações, existe um motivo identificável para a preocupação, e ela tende a diminuir quando o acontecimento passa.
A ansiedade pode se tornar problemática quando aparece com frequência, intensidade ou duração que começam a interferir na vida cotidiana.
Não é apenas "pensar demais".
Pode envolver uma combinação de pensamentos, sensações físicas e mudanças de comportamento.
Quando a mente não consegue desacelerar
Algumas pessoas passam boa parte do dia antecipando problemas.
- "Será que vai dar errado?"
- "E se acontecer alguma coisa?"
- "E se eu não conseguir?"
- "E se a pessoa ficar chateada comigo?"
Esses pensamentos podem criar uma sensação constante de urgência, como se fosse necessário encontrar uma solução antes mesmo de o problema existir.
E quanto mais a pessoa tenta controlar todas as possibilidades, mais situações parecem exigir controle.
Esse ciclo pode ser exaustivo.
A ansiedade também aparece no corpo
Nem sempre a pessoa identifica imediatamente que aquilo que está sentindo pode estar relacionado à ansiedade.
O corpo também participa dessa resposta.
Podem surgir, por exemplo:
- Tensão muscular.
- Inquietação.
- Aceleração dos batimentos.
- Sensação de falta de ar.
- Dificuldade para dormir.
- Cansaço.
- Alterações gastrointestinais.
- Dificuldade de concentração.
Isso não significa que qualquer um desses sintomas seja necessariamente causado por ansiedade. Sintomas físicos persistentes ou intensos também merecem avaliação médica.
Quando a ansiedade começa a interferir nas escolhas
Um dos aspectos mais importantes é perceber o que você começa a fazer para evitar aquilo que provoca desconforto.
- Talvez você deixe de frequentar determinados lugares.
- Evite conversas difíceis.
- Adie decisões.
- Peça repetidamente confirmação de que está tudo bem.
- Deixe de fazer algo porque imagina que pode dar errado.
Ou passe a organizar sua rotina de maneira cada vez mais rígida para tentar evitar situações imprevisíveis.
A curto prazo, evitar pode trazer alívio. Mas, com o tempo, esse alívio pode reforçar a ideia de que aquela situação realmente não pode ser enfrentada.
Ansiedade e necessidade de controle
Nem sempre é possível controlar o que acontece.
Não podemos controlar completamente a opinião das outras pessoas, o comportamento de um parceiro, o resultado de uma decisão ou tudo o que pode acontecer amanhã.
Ainda assim, quando estamos ansiosos, tentar controlar cada detalhe pode parecer uma forma de nos proteger.
A terapia pode ajudar a diferenciar aquilo que está sob seu controle daquilo que não está e, principalmente, a desenvolver recursos para lidar com a incerteza sem permitir que ela conduza sua vida.
Quando procurar ajuda?
Você não precisa esperar que a ansiedade se torne insuportável para procurar ajuda.
Se ela está interferindo na sua qualidade de vida, vale conversar com um profissional. Também é importante procurar avaliação quando os sintomas são frequentes, intensos ou difíceis de controlar.
A psicoterapia pode contribuir para identificar os padrões que mantêm a ansiedade, trabalhar pensamentos e comportamentos associados a ela e desenvolver maneiras mais saudáveis de enfrentar situações difíceis.
A ansiedade não precisa desaparecer para você voltar a viver
Talvez o objetivo não seja nunca mais sentir ansiedade. Ela faz parte da experiência humana. O que pode mudar é a relação que você estabelece com ela.
Quando a ansiedade deixa de determinar suas escolhas, você recupera espaço para viver o presente, tomar decisões e fazer aquilo que é importante para você.
Se você sente que a ansiedade tem ocupado mais espaço do que gostaria, podemos conversar.
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